Blig: (8(> - Matusal�m Matusca

(8{> - Matusalém Matusca


(8{> - Eu!?
Papiros



Sarc�fago



15/06/2003 13:42

(8{>- Múmia ralada com azeitonas.

Até hoje, quando passo pelo “peniquinho”, nas pedras do Arpoador, acho difícil de acreditar que já saltei dali centenas de vezes. Um pequeno buraco lá em baixo no meio das pedras, raso e muito perigoso. Tinha que pular no momento certo da entrada da onda e de olho aberto pra acertar bem no meio.

Matusquelices, que só fazemos quando jovens e que normalmente não servem pra nada a não ser arriscar nossa vida. Se bem, que o hábito de mergulhar com os olhos abertos, pode ter salvo a minha, bem mais tarde.

Certa vez, fomos fazer o reconhecimento e escolher um bom local para a construção da casa de um amigo, na Ilha do Martins. Eu, o James - um americano mais matusca que eu - que havia adquirido a posse de toda a ponta leste da ilha, e o Durval, um topógrafo da região de Angra, que contratamos.
Fomos até lá na traineira de um pescador, que viria nos buscar no fim do dia.
O lugar era complicado, um morro com um costão íngreme e mata fechada no topo.

O James cismou, baseado nas fotos aéreas (bem caras) que encomendamos no serviço de aerofotogrametria da antiga Cruzeiro do Sul, que havia uma pequena enseada do outro lado do morro. Tentamos atravessar pelo mato, mas o troço não tinha nenhuma picada e era cheio de arranha-gato e espinho de coco-de-iriri.

Então o artista veio com a grande idéia: “Vamos nadando devagar e assim podemos olhar todo o costão”.

E lá foram os dois patetas e um trouxa. Depois de um tempinho, nadando cachorrinho, com as sandálias na mão, vimos, no alto das pedras, uma enorme caverna.

Eu:
Vamos subir e dar uma olhada?
O Durval, macaco velho:
Deixa pra lá, outro dia a gente vê com calma.
O James:
Estou cansadão, vai lá, a gente te espera nas pedras. O Neno (James Jr.) vai adorar saber que descobrimos uma caverna de pirata - vivíamos contando histórias de tesouros e de piratas malucos, pro guri.

O panaca aqui calçou as sandálias - o costão era cheio de ostras - e subiu nas pedras. Quando cheguei lá em cima, fui logo enfiando o focinho na entrada do buraco.
Amigos, foi um inferno: dezenas de marimbondos de bunda vermelha - tapiocabas, que até os caiçaras locais respeitam - caíram de pau em cima de mim.
Vocês sabem: quanto mais a gente esperneia mais neguinhos te ferram.

Desesperado, calculei a distância para um bico de pedra próximo, dei uma corridinha e... a tira da sandália soltou.
Pulei meio desconjuntado e vendo lá em baixo as pedras me esperando. Joguei a cabeça para trás, estiquei o corpo como a gente faz no final de um mergulho “canivete” e entrei na água.

Raspei nas ostras, desde os mamilos até os peitos-dos-pés. Só livrei a cabeça, mas nela, os marimbondos já haviam feito um estrago considerável.

Cheguei na tona e nadei num pau só de volta para a prainha da ilha. Sabia que se parasse estaria encrencado.
Quando cheguei, apaguei por um tempo. Que eu lembre, foi a primeira e única vez que isto aconteceu. Acho que a adrenalina, a dor e o veneno das dezenas de ferroadas espalhadas pelo corpo fizeram o serviço.

Por sorte, o James conseguiu parar uma lancha que passava e usamos o material de primeiros socorros do boa praça.

Não foi engraçado? É porque ainda não contei o meu lamentável estado final. Imaginem um sujeiro todo encaroçado, lanhado, sangrando, mijando na mão e passando urina na cara, pra aliviar a dor.
Pior que funciona.

enviada por Matusalém Matusca






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